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a partir de uma fotografia de José Manuel Rodrigues

26.2.12

Aurora Carapinha e Antonio Jimenez Torrecillas | Évora, 25.02.12

Paisagem é um conceito polissémico. No entanto, nas ciências socias, tende a ser considerado uma produção cultural, uma representação colectiva e um valor ideológico. Portanto, para além de uma construção humana, uma representação humana.
Esta construção processou-se em 3 fases: pelos camponeses, como necessidade; para representação, no pitoresco dos pintores; pelo arquitecto e pelo engenheiro, para funções urbanas, sociais e culturais.
A ecologia torna-se assim numa etologia. Neste quadro, desloca-se o homem.

AJT, em sintonia não programada com a Professora Aurora Carapinha, começou por mostrar-nos imagens comuns, tecendo sobre elas uma leitura de descoberta. Com ele descobrimos que o tempo se pode perder mas não se pode ganhar. Um líquene sobre uma pedra de xisto é tempo que não pode ser construído pelo homem, tempo esse que o homem pode usar em seu proveito.
A necessária massa crítica para reconhecer este valor incrustado no território e revertê-lo a favor da sociedade existe nas universidades, em particular no âmbito de doutoramentos. O Alentejo, por sua vez, dispõe de matéria crítica, porque dispõe de um passado ainda presente, que pode ser usado para construír o futuro.
Mais além, sobre o facto de este grupo desenvolver uma investigação em arquitectura de forma pioneira, manifestou-se convicto da necessidade deste processo e entusiasmado com as possibilidades de resultados, deixando transparecer alguma inveja.

 

24.2.12

E porque muito se tem falado de crise...

“Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos.


A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, as descobertas e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar "superado". Quem atribui à crise os seus fracassos, negligencia o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a incompetência.

O maior defeito das pessoas e dos países é a preguiça com que esperam encontrar saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se pode mostrar o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos arduamente.

Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para a superar.”

Atribuído (sem confirmação) a Albert Einstein

«O grande problema do país é a morte das aldeias»


Numa conversa que decorreu nos jardins da Fundação Calouste Gulbekian, o arquitecto paisagista falou sobre o país, os problemas de planeamento das grandes urbes, a desertificação das aldeias. Para o antigo ministro da Qualidade de Vida, os governantes conhecem mal o país, o território e, em especial, o mundo rural. «É preciso que os responsáveis pensem mais no país, menos nas finanças e reflictam na economia do planeamento para o desenvolvimento das gentes». De acordo com Gonçalo Ribeiro Telles há que recuperar a «autenticidade das coisas».

Ana Clara | quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Num momento em que Portugal vive uma crise económica e social, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que completa 90 anos em Maio deste ano, começa por dizer que o principal problema do país «é a falta de informação e a cultura das pessoas, transversal na sociedade portuguesa».

«Desde as camadas superiores, mais intelectualizadas até às mais profundas, de ligação à terra e aos lugares, essa falta de cultura continua à vista», argumenta, recordando que Portugal «vive uma crise de valores».

Refere que o fosso entre o Litoral e o Interior continua a aumentar. «A quem se deve o desaparecimento e a degradação das aldeias?», questiona, sublinhando, em seguida, que tal se deve «a toda uma política de organização do desenvolvimento planeada para a destruição do país e à preocupação em considerar a ruralidade como qualquer coisa do passado sem futuro».

«Criámos uma ruína. É preciso que os responsáveis pensem mais no país e menos nas finanças. Que reflictam mais na economia do planeamento para desenvolvimento das gentes, das potencialidades e da nossa posição quanto ao mundo», apela Gonçalo Ribeiro Telles.

E considera que «se estão a construir cidades só por construir e a criar não o vazio do espaço, mas o vazio do espaço construído». Sobre o interior, salienta que as aldeias «não podem despovoar-se como está a acontecer» e frisa que «dentro de pouco tempo, isto é um país de velhos, de asilos urbanos». Por isso defende que a recuperação das aldeias «tem de passar pelo restabelecimento da agricultura local».

E não tem dúvidas: «hoje, o grande problema do país é a morte das aldeias, que é também um problema de cidades».

E explica porquê: «o aglomerado urbano, que vive do abrigo, do encontro das pessoas, do tecto, do ambiente é a cidade. Mas isso também existe e tem de existir na aldeia. A dimensão é que é diferente. O que está aqui em causa não é a cidade, que dentro de pouco tempo terá 80% da população a viver nela. As aldeias não podem despovoar-se como está a acontecer».

O arquitecto recorda que com os actuais modelos de Planos Directores Municipais (PDM’s) não há recuperação urbana das aldeias para as pessoas mas apenas «a recuperação de algumas aldeias para o turismo».

«Mas não há turismo sem aldeões. Estamos completamente errados. A recuperação das aldeias passa pelo restabelecimento da agricultura local. E isso é o que não se quer», afirma.

Para Ribeiro Telles, o crescimento urbano deu-se baseado na ideia de um enriquecimento a curto prazo. «Ninguém apostou, por exemplo, na agricultura. E grande parte da industrialização deu-se também devido a isso. As políticas não eram autênticas em função das gentes. Onde é que está a funcionar a agricultura em termos nacionais? E o povoamento do território? Não está nem nos programas dos partidos nem dos governos. Tem apenas os limites de um jogo financeiro», frisa.

Para o arquitecto, o chamado «regresso à terra», «não é um regresso para férias nem para fazer agricultura de recreio», mas tem de ser uma «aposta no investimento das escolas, que estão a fechar, na circulação de todo o movimento que se tem de fazer em qualquer região».

Para isso, vinca, «é preciso criar gradualmente as condições. Se não for possível, temos o caos. Não conhece os subúrbios das cidades? Aí está o exemplo de caos», diz.

«Temos utilizado mal os nossos recursos»:
Sobre a Reserva Agrícola Nacional (RAN), a Reserva Ecológica Nacional (REN) e os PDM’s, que Ribeiro Telles impulsionou no início dos anos 80 do século passado, o também engenheiro agrónomo, realça que os dois primeiros diplomas «tiveram uma má aplicação, muitas vezes, por incompetência de quem fazia o planeamento e incompreendida pela maior parte dos autarcas, que não viam naqueles diplomas uma vitória eleitoral a curto prazo, em parte, pela pressão do investimento que os bancos realizavam para determinadas entidades, e deu no que deu».

«O mal está à vista. Continuamos a falar da floresta, da expansão urbana, do crescimento das cidades. Mas isso não se vê», salienta.

E prossegue, dizendo que «não há uma planificação global em face das possibilidades e virtudes do território. E não há povoamento».
Sobre a utilização dos PDM’s, Ribeiro Telles refere que estes instrumentos foram criados como «algo necessário para a defesa dos melhores solos agrícolas de que depende a existência do povoamento e a existência do país».

«Mas foi muito desvirtuada por muitos políticos e programas, porque não viam o essencial na autenticidade do país. Além disso, o PDM não servia a rápida expansão urbana nos sítios mais fáceis, mais planos e nos lugares mais urbanos», acrescenta.

A juntar a tudo isto, o arquitecto garante que «temos utilizado mal os nossos recursos». E os exemplos de má utilização são muitos, de norte a sul do país, e principalmente, «têm-se acelerado a má utilização dos recursos porque não se acredita nas «gentes», que estão – ou deviam estar – ao serviço da Humanidade e com uma identidade própria».

Recorda que «todas as coisas no nosso mundo têm uma autenticidade e que é sempre possível recuperar». «Uma coisa autêntica é aquela que tem um passado, que tem alicerces e que tem também um presente que se vê, que se sente. Não há presença nem autenticidade sem futuro», avisa.

E lembra que há três elementos fundamentais para os países, incluindo Portugal, se manterem como tal: «os lugares, as potencialidades e os recursos que nos dá a Terra-mãe e as suas gentes. Havendo estas três condições há lugar à autenticidade e à criação».

Recorde-se que o Centro Nacional de Cultura, que Gonçalo Ribeiro Telles ajudou a fundar, homenageou o arquitecto em Dezembro de 2011. À iniciativa que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, acorreram dezenas de figuras dos mais variados quadrantes da sociedade portuguesa. Destacaram o trabalho desenvolvido pelo arquitecto em várias áreas, nomeadamente nas questões do ordenamento do território e do uso da terra em Portugal. 

Fonte: http://www.cafeportugal.net/pages/noticias_artigo.aspx?id=4526

23.2.12

La arquitectura a través del lenguaje

A propósito de El Vampiro y El Criptologo...


"En las épocas de crisis, las palabras suelen matar la arquitectura. Y la ausencia de una arquitectura viva y realmente autónoma (es decir, desarrollada según su propio logos) queda compensada por los numerosos flujos de palabrerías, unas palabrerías que circulan de un extremo a otro de la cultura arquitectónica como si ellas fuesen la arquitectura misma, como si la ruidosidad que generan fuera el meollo del hecho arquitectónico." in Introducción. La arquitectura a través del lenguaje. Maurici Pla. ISBN: 9788425220487

21.2.12

Alentejos


Uma reflexão a partir de impressões sobre o Alentejo, numa breve viagem de papel.
Um contributo do Paulo Varela Gomes, para o blogue, a pensar no nosso grupo de trabalho.

(digitalização do recorte da pág. 3 do P2 do jornal Público de 18 de Fevereiro de 2012)

20.2.12

aqui vai o link o projecto BioVallo... especifico para o Pedro
http://biovallo.it/

17.2.12

Hans-Ulrich Obrist

HUO é um fenómeno de produção diversificada de veículos de conhecimento através da arte.
As centenas de entrevistas que realizou neste âmbito são apenas uma faceta deste super-curador, considerado pela Art Review uma das pessoas mais influentes do mundo da arte.
Tendo estudado política e economia e dado aulas de filosofia, os seus interesses alastram-se à ciência, à arquitectura e finalmente à curadoria de arte, que ele transforma numa arte em si.

Na entrevista realizada a Rem Koolhas em Veneza 2010, chamou-me a atenção uma passagem de RK sobre a presença dos edifícios antigos em relação aos actuais. O seu espaço e a sua volumetria desmesurada confere-lhes a “inutilidade” que a nossa mente necessita para se ligar ao lugar, sem uma funcionalidade omnipresente. Os edifícios actuais, ao produzirem espaços impregnados de sentidos óbvios, paradoxalmente limitam a apropriação do espaço.
Como as fotografias a preto e branco, que são mais realistas do que aquelas a côres, por permitirem que a nossa configuração do mundo fuja para o real.

Gonçalo Ribeiro Telles | Évora, 15.02.12

Com a sua “teimosia inteligente”, GRT voltou a surpreender-nos na lucidez do seu plano.

Planeamento
Mar, terra, serra, rios, lezíria… falamos de planeamento.
Enganam-nos as parangonas que dizem que uma formação ordenada de eucaliptos é uma floresta. Veiculam que a expansão urbana e a florestação são sinónimo de progresso e que o rural é arcaico.
Que interesses serve?
Valorização das pessoas é torná-las rentáveis?

Interior | Novos territórios
O que é o interior? Da costa à fronteira?
Novos territórios, pressupõe que eles nunca tiveram vida nem história.
Aqui perto, não se trata de interior nem de novos territórios, mas de regiões naturais, suporte básico do planeamento do ecossistema humano.
Por isso, novos territórios são territórios já humanizados, recentemente humanizados.

Valor
Valor é o das montanhas e das bacias hidrográficas no ciclo imparável da água.
Por outro lado, construír em cima das lezírias é construír em cima da obra do homem.
Devemos reabilitar o que foi ou criar o que deve ser? Acima de tudo, procurar a autenticidade do território e do homem.

Sugestão
No início, era uma ideia…
Quando ela é intensa, seduz e transforma.
Mas esta ideia de paraíso (ou de utopia) tem de estar ligada à justiça.

Para haver vida, é necessário água doce, matéria orgânica e criatividade. A criatividade são as pessoas.

Atlas

A “leitura” de um Atlas não se processa da mesma forma da de um livro. Pelo seu recurso à imagem estimulam uma leitura pessoal. Pela sua organização estrutural permitem ao leitor uma sequência não linear, seguro que está de onde se encontra na história. Um Atlas, ao ser coligido ou ao ser lido, suporta o nosso entendimento do universo através da nossa inteligência mais flexível.

Aby Warburg (1866-1929)
Atlas Mnemosyne
- Obra que reformula os conceitos de memória, contemporânea de Freud. Paineis com mapas, fotografias, páginas de livros, com uma narrativa interior de acumulação delirante de referências mnemónicas.

Didi Huberman
Atlas. How to Carry the World on One's Back?
-Exposição que parte do Atlas Mnemosyne de Aby Warburg e colecciona obras inesperadas de autores diversos. Museo Reina Sofia, 2011

Gerhard Richter
Atlas
- Começou por ser uma recolha de imagens para o estudo de temas de pintura e passou a abranger desde fotografias de campos de concentração a postais ilustrados. Apresentado em painéis em exposições e em livro com edições actualizadas.

Walid Raad
The Atllas Group
- Arquivo com documentos em vários suportes, desde a fotografia ao texto, do vídeo à conferência, sobre a actualidade histórica do Líbano. 

Eduardo Souto de Moura
Atlas de parede, imagens de método

16.2.12

What is architectural research



este é o primeiro post de um blog que se deseja receptor e emissor de caminhos para novos territórios do conhecimento