©

a partir de uma fotografia de José Manuel Rodrigues

26.2.12

Aurora Carapinha e Antonio Jimenez Torrecillas | Évora, 25.02.12

Paisagem é um conceito polissémico. No entanto, nas ciências socias, tende a ser considerado uma produção cultural, uma representação colectiva e um valor ideológico. Portanto, para além de uma construção humana, uma representação humana.
Esta construção processou-se em 3 fases: pelos camponeses, como necessidade; para representação, no pitoresco dos pintores; pelo arquitecto e pelo engenheiro, para funções urbanas, sociais e culturais.
A ecologia torna-se assim numa etologia. Neste quadro, desloca-se o homem.

AJT, em sintonia não programada com a Professora Aurora Carapinha, começou por mostrar-nos imagens comuns, tecendo sobre elas uma leitura de descoberta. Com ele descobrimos que o tempo se pode perder mas não se pode ganhar. Um líquene sobre uma pedra de xisto é tempo que não pode ser construído pelo homem, tempo esse que o homem pode usar em seu proveito.
A necessária massa crítica para reconhecer este valor incrustado no território e revertê-lo a favor da sociedade existe nas universidades, em particular no âmbito de doutoramentos. O Alentejo, por sua vez, dispõe de matéria crítica, porque dispõe de um passado ainda presente, que pode ser usado para construír o futuro.
Mais além, sobre o facto de este grupo desenvolver uma investigação em arquitectura de forma pioneira, manifestou-se convicto da necessidade deste processo e entusiasmado com as possibilidades de resultados, deixando transparecer alguma inveja.

 

2 comments:

  1. This comment has been removed by the author.

    ReplyDelete
    Replies
    1. A aula da professora Aurora Carapinha, proporcionou uma reflexão e um olhar mais atento sobre o conceito de paisagem versus território.
      No essencial, e na minha opinião, foi encarar a paisagem terminologia feminina e etérea como um espaço construído o qual habitamos, moldamos e temos necessidade de cuidar. Este espaço insere-se num processo de transformação e contínua evolução, antítese da ideia romântica de preservação e da recriação de lugares pitorescos.

      “Que pode haver de mais belo que um caminho? É o símbolo e a imagem da vida ativa e variada.” George Sand

      É na interpretação do espirito do lugar que se poderá procurar a regeneração e o processo de renaturalização do território.

      O arq. Torrecilas brindou-nos com uma apresentação sem ”ismos”, apoiando-se num conjunto de estruturas narrativas que se materializaram num excelente exemplo de intervenção em Alqueva.

      Delete